O drama de brasileiros impactados pelas mudanças climáticas

Não precisa ser um especialista em mudanças climáticas para sentir o impacto delas e como afetam o nosso dia a dia, o meio ambiente e a economia. Essa causa é de todos.

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o documentário

O documentário “O Amanhã é hoje - o drama de brasileiros impactados pelas mudanças climáticas” diz a que veio: mostrar que os impactos do clima já alcançaram todos os brasileiros, estejam na cidade, no campo ou na floresta.

Nada nem ninguém escapa. Gente de todos os cantos do Brasil, nossas cidades e florestas. A economia, a saúde e nossos sonhos de futuro. Seis brasileiros, de cinco estados, contam como as mudanças climáticas impactaram suas vidas. A jovem indígena que tornou-se brigadista voluntária depois de um incêndio florestal sem precedentes; a pequena agricultora que enfrentou seis anos de seca; a comunidade caiçara centenária obrigada a mudar de território em razão da força do mar; o comerciante que viu seu negócio ser destruído pelas chuvas e deslizamentos que ceifaram centenas de vidas no Rio de Janeiro; o produtor de ostras penalizado pelo aumento da temperatura do mar; a mulher que perdeu dois carros, em uma cidade litorânea, para as ressacas que avançam na costa brasileira.

A crise do clima vai piorar.

A temperatura do planeta pode aumentar 1,5 °C já nos próximos trinta anos, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Uma das consequências do aquecimento global é justamente a mudança climática. Se a temperatura aumentar mais, os impactos no meio ambiente, na economia e na vida da sua família serão devastadores, disseram os melhores especialistas em clima do Brasil entrevistados para o documentário. O Brasil é um dos 18 países que mais perdem dinheiro com as mudanças climáticas, mostrou um relatório recente da ong alemã Germanwatch. Para reduzir esses impactos, precisamos barrar o desmatamento das florestas.

Sete organizações da sociedade civil uniram esforços para tirar da invisibilidade as histórias dos afetados pelas mudanças climáticas. São elas: Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Engajamundo, Greenpeace, Instituto Alana e Instituto Socioambiental. A pedido delas, estudiosos do clima produziram dois documentos técnicos inéditos que apontam os riscos iminentes para as pessoas e para o planeta: “Mudanças climáticas, impactos e cenários para a Amazônia” e “A Amazônia precisa de uma economia do conhecimento da natureza”.

As mudanças climáticas, no entanto, não podem competir, apenas, a cientistas e outros especialistas. É uma causa de todo mundo.

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as histórias

As mudanças climáticas não impactam, apenas, o meio ambiente - o que já seria grave o suficiente. Ela altera o rumo das histórias das pessoas e, por vezes, deixa cicatrizes. Contamos seis casos emblemáticos de brasileiros impactados por essas mudanças. Confira os ensaios fotográficos.

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Sobrevivi a seis anos de seca

Maria José Pereira da Rocha

37 anos, agricultoraplaceSão José do Egito, PE
Foi a pior seca que eu já vivi. Por mais que no sertão a aridez seja comum, conseguimos aguentar por um ano. Outra, bem diferente, é uma estiagem que dure seis anos. Não temos nenhuma condição de nos preparar para isso. Não morremos porque minha casa tem cisterna, abastecida a cada dois dias por carros pipas. Aqui na minha terra as plantas não resistiram. Não tinha o que dar para alimentar os animais e ninguém queria os bichos nem de graça. Vi muitas ovelhas morrerem.”
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O fogo queimou 60% do nosso território

Celiana Cypcwyk Krikati

21 anos, chefe da brigada de incêndioplaceTerra Indígena Krikati, MA
Um incêndio queimou 60% da nossa terra. Como as chuvas diminuíram e o calor aumentou, a chama se espalhou rápido. As lideranças decidiram criar uma brigada indígena voluntária para proteger a comunidade e o território. Fui a única mulher escolhida e me tornei a chefe da brigada. Sem recursos, chegamos a combater o fogo de chinelos. Para alcançar alguns focos de incêndio, às vezes caminhamos dentro do território por dias porque não temos viaturas. Fico com medo - tenho uma filha pequena-, mas tenho mais medo ainda de ela não ter uma terra protegida para crescer.”
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A tempestade acabou com a minha loja

Gilberto Sader

67 anos, comercianteplaceNova Friburgo, RJ
Uma tempestade sem precedentes mudou a vida em Nova Friburgo em 2011. Os ventos eram tão fortes que tinha a impressão que arrancariam o teto da minha casa. A noite toda foi assim. Recebi uma ligação dizendo que a lama e a água invadiram minha loja, que fica na praça central da cidade. O prejuízo superou R$ 1 milhão. Pedi um empréstimo para reerguer o negócio e ainda estou pagando. Digo que o meu prejuízo foi o menor, porque não perdi ninguém da minha família - e o desastre causou mais de 400 vítimas fatais na cidade.”
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O mar nos obrigou a abandonar a comunidade

Tatiana Mendonça Cardoso

37 anos, artesãplaceParque Estadual Ilha do Cardoso, SP
Precisamos abandonar as nossas casas na antiga comunidade, onde minha família viveu por 170 anos, porque o mar ia engolir tudo. De um lado, tínhamos o mar. Do outro, o rio. Entre eles, uma extensa faixa de terra. Uma ressaca terrível reduziu para dois metros e meio a distância entre os mares. Sair de lá era urgente. Deixamos as casas, os centros comunitários e as nossas histórias. Em 2018, a força da água dividiu a ilha. Ainda estamos reerguendo nossas memórias.”
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O calor excessivo afetou meu negócio

Leonardo Cabral

39 anos, produtor de ostrasplaceItajaí, SC
Minha família trabalha com produção de ostras há 32 anos. Até dois anos atrás a gente nunca tinha abandonado a embarcação por conta do mau tempo. Agora, acontece três vezes por ano. Até meados de 2005 existia uma temporada de verão. O vento sul reduzia o calor e o vindo do norte, aumentava. Então entre novembro e janeiro, no calor, eu plantava as ostras. Isso não existe mais. No último ano, plantei de fevereiro a maio. Tem alguma coisa acontecendo para esse vento não vir mais. Com isso, a água não esfria e a semente da ostra morre. Se o produtor não está atento, e muitos ainda não estão, perde a safra toda.”
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A ressaca inundou meu condomínio

Patricia Amado

42 anos, microempresáriaplaceSantos, SP
“Moro na beira da praia há 20 anos. Nesse tempo, vi as ressacas chegarem cada vez mais fortes e frequentes. Lembro que em 2005 a água entrou na garagem do prédio e tentei salvar meu carro. As luzes foram cortadas, só conseguia sentir o cheiro e o barulho da água invadindo tudo. Dez anos depois, veio outra ressaca, mais forte ainda. A água inundou a garagem toda de novo e alcançou a portaria do prédio, quebrando vários vidros. Das duas vezes, perdi um carro. Depois da última ressaca, decidi que não teria mais automóvel enquanto vivesse aqui.”
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os estudos

O documentário traz ainda dois estudos inéditos de especialistas como o professor de Economia da USP Ricardo Abramovay, do pesquisador Carlos Souza, do Imazon, e do climatologista José Marengo, do INPE. Os documentos mostram como o desmatamento, em especial da Amazônia, agrava os impactos do clima na produção agropecuária, no fornecimento de água do país, na emissão de gases de efeito estufa, nos incêndios florestais, entre outros, afetando ainda mais brasileiros. Clique para baixar.

picture_as_pdf“Mudanças climáticas, impactos e cenários para a Amazônia”

picture_as_pdf“A Amazônia precisa de uma economia do conhecimento da natureza”

contato

Informações para a imprensa

Engajamundo

phone+55 11 973731171

mailpedrolac@engajamundo.org

Greenpeace

phone+55 11 3035-1167 e +55 11 95640-0443

mailimprensa.br@greenpeace.org

créditos

Documentário | 2018

Apresentado por
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Engajamundo, Greenpeace, Instituto Alana e Instituto Socioambiental

Histórias de
Celiana Krikati, Gilberto Sader, Leonardo Cabral, Maria José Pereira da Rocha, Patrícia Amado e Tatiana Mendonça Cardoso

Equipe

Coordenação e produção executiva do documentário
Thais Lazzeri

Produção audiovisual

Produção
Thais Lazzeri

Roteiro
Laura Toledo Dauden
Thais Lazzeri

Direção de fotografia
Miguel Herrera

Ensaio fotográfico
Fernando Martinho

Trilha sonora original e Mixagem
Estúdio Casa da Árvore

Imagens de apoio
Coi Belluzzo, Fábio Nascimento, Giovanni Bello, Marcos Wesley - Instituto Socioambiental Bruno Morais - Arquivo ASA
Fernando Martinho
Greenpeace

Direção de arte

Design multiplataforma
Leandro Castro

Tradução
Melissa Harkin

Apoio institucional
Instituto Clima e Sociedade (ICS)